Mentor Márcio Miranda

Você acha que usa IA, e essa ilusão te deixa para trás

Resposta rápida: escrever e-mail e legenda no ChatGPT não é usar inteligência artificial para vender mais, é digitar mais rápido. As empresas que de fato usam IA já produzem cerca de oito vezes mais por pessoa que a média, e a distância está explodindo. A virada é parar de usar a IA para escrever e passar a usá-la para trabalhar, automatizando um processo comercial de ponta a ponta.

Semana passada, um dono de empresa me disse, orgulhoso, que a companhia dele já estava usando inteligência artificial. Perguntei como, e ele contou que a equipe agora escreve os e-mails no ChatGPT, gera legenda de Instagram e resume as reuniões.

Achei ótimo, e falei a verdade que ninguém tinha falado para ele: isso não é usar inteligência artificial para vender mais, é usar IA para digitar mais rápido. E enquanto ele comemorava o textinho, o concorrente dele, do mesmo tamanho, tinha colocado a IA para fazer o trabalho de verdade.

Por que achar que já usa IA te deixa para trás?

Porque a sensação de estar em dia esconde o tamanho do buraco. A pesquisa mostra que a maioria esmagadora das pequenas e médias empresas diz que já usa inteligência artificial. Só que, quando você abre a porta, quase todo mundo usa para uma coisa só: escrever um texto. É o uso de menor valor que existe.

Essa armadilha é silenciosa justamente porque dá uma sensação gostosa de modernidade. O dono abre o ChatGPT, resolve um e-mail, sente que entrou no futuro, e é exatamente esse conforto que o impede de perceber que ficou parado no lugar enquanto o mercado andou.

O que é o abismo de produtividade da IA?

É a distância, cada vez maior, entre quem usa a inteligência artificial para trabalhar e quem usa só para escrever. As empresas que mais usam IA de verdade já produzem cerca de oito vezes mais resultado por pessoa do que a empresa média. Há poucos meses, essa diferença era de menos de três vezes.

Ou seja, o buraco não está crescendo devagar, está explodindo. Quando a distância era de duas ou três vezes, dava para correr atrás. Com oito vezes e abrindo, a empresa que esperar mais um ano não vai estar um ano atrás, vai estar uma geração atrás. E o motivo de tantos projetos de IA darem em nada não é a tecnologia, é que automatizaram a tarefa errada, acelerando o processo velho em vez de mudá-lo.

Qual a diferença entre usar IA para escrever e para trabalhar?

Um assistente sugere um texto e espera você mandar. Um agente lê o funil sozinho, percebe quais orçamentos estão parados, decide qual cliente cutucar hoje, escreve o acompanhamento, registra tudo no cadastro e ainda avisa quem está pronto para a reunião. Um economiza a sua digitação, o outro faz o serviço que o vendedor não faz porque não tem tempo.

Deixa eu colocar em reais, porque é aí que a ficha cai. Imagine uma empresa com quatro vendedores, cada um perdendo umas duas horas por dia com digitação, atualização de cadastro e acompanhamento. São cerca de cento e sessenta horas por mês da equipe inteira em trabalho administrativo. A modestos cinquenta reais a hora do vendedor, são oito mil reais por mês evaporando em tarefa que não vende. Um agente que devolve metade disso já libera quatro mil reais de capacidade comercial por mês.

Qual tarefa automatizar primeiro no comercial?

Em vez de perguntar se a sua equipe já usa inteligência artificial, pergunte qual processo do seu comercial hoje roda sozinho, sem ninguém empurrar. Se a resposta for nenhum, você ainda está no textinho, por mais ChatGPT que a equipe abra. O primeiro passo concreto é escolher um único processo repetitivo que come tempo e dinheiro.

Na maioria das pequenas empresas, o campeão é o acompanhamento dos orçamentos parados, aquele monte de proposta enviada que nunca teve retorno porque o vendedor não deu conta de ligar de novo. Pegue esse processo e automatize de ponta a ponta com um agente que lê, decide, escreve, registra e agenda. Antes de automatizar, porém, redesenhe o processo em vez de só acelerar o jeito velho, e depois meça em número: horas que voltaram, reuniões a mais, orçamentos ressuscitados. Dê trinta dias e só então parta para o segundo.

Perguntas frequentes

Usar o ChatGPT para escrever e-mails é usar IA de verdade?

É o uso mais básico que existe. Escrever e-mail, legenda e resumo economiza alguns minutos, mas não responde o cliente sozinho, não acompanha orçamento parado e não agenda reunião. Para vender mais com inteligência artificial, é preciso sair do texto e colocar a IA para executar um processo comercial de ponta a ponta.

O que é o abismo de produtividade da IA?

É a distância crescente entre quem usa a inteligência artificial para trabalhar e quem usa só para escrever. As empresas que mais aplicam IA já produzem cerca de oito vezes mais por pessoa que a média, contra menos de três vezes poucos meses atrás. Quem esperar mais um ano não ficará um ano atrás, mas uma geração atrás.

Qual a diferença entre IA que escreve e IA que trabalha?

A IA que escreve é um assistente: sugere um texto e espera a sua ordem. A IA que trabalha é um agente: lê o funil sozinho, identifica os orçamentos parados, escreve o acompanhamento, registra no cadastro e avisa quem está pronto para a reunião. Uma economiza digitação, a outra faz o serviço que o vendedor não tem tempo de fazer.

Qual tarefa o comercial deve automatizar primeiro?

Em geral, o acompanhamento dos orçamentos parados, aquelas propostas enviadas que nunca tiveram retorno porque ninguém ligou de volta. É um processo repetitivo, que come tempo e dinheiro, e que um agente faz de ponta a ponta: lê, decide, escreve, registra e agenda. Comece por ele, meça por trinta dias e só depois avance.

Por que redesenhar o processo antes de automatizar?

Porque acelerar o jeito velho de trabalhar só devolve minutos, não transforma o negócio. Foi assim que muita empresa jogou dinheiro fora: deu uma ferramenta para o vendedor fazer a mesma coisa mais rápido. Redesenhar o processo antes de automatizar garante que a inteligência artificial resolva o gargalo, e não apenas repita o erro com mais velocidade.

A pergunta que fica é incômoda: se um concorrente do seu tamanho já colocou um agente para trabalhar enquanto a sua equipe ainda usa inteligência artificial só para escrever bonito, quanto tempo a sua vantagem de relacionamento segura essa diferença? Se você quer montar automação de verdade no seu comercial, conheça as palestras, os treinamentos e a mentoria em marciomiranda.com.br.

Este artigo nasceu da newsletter de Márcio Miranda no LinkedIn, publicada em 31/08/2026, e foi ampliado para o blog.


Sobre o autor: Márcio Miranda é especialista em negociação e vendas B2B, com mais de 30 anos formando negociadores e equipes comerciais. É autor de 5 livros, palestrante e apresentador do podcast Dicas de Negociação e Vendas com Márcio Miranda, com mais de 1.000 episódios. Conheça palestras, treinamentos e mentoria em marciomiranda.com.br.

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Márcio Miranda - especialista em vendas e negociação

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